Escritor de Natal na Cyberteca 2010 – resultados

3 01 2011

O vencedor deste passatempo é a Filipa Mateus do 5º G, que respondeu pronta e acertadamente ao nosso desafio:

Título da Obra : A Noite de Natal

Autor(a) : Sophia de Mello Breyner Andresen

Parabéns, Filipa e um Bom Ano para ti!

 

E o Escritor do mês de Janeiro está quase a chegar. Estejam atentos a mais este desafio.





É Natal!

20 12 2010

Para a celebração do Natal, a Biblioteca convidou os alunos a participar na construção de árvores de Natal, utilizando revistas. Muitos foram os que, nos intervalos e nos seus tempos livres, se reuniram na área de trabalho de grupo e conviveram à volta da mesa, dobrando cada uma das suas páginas.

Com a ajuda da professora Lúcia, foram depois decoradas com círculos e estrelas multicores e encimadas com uma estrela de arame. O efeito final foi bonito: as árvores construídas, colocadas em cada uma das mesas da biblioteca, deram um toque festivo à sala.

Nas vitrinas expuseram-se livros pop-ups alusivos ao Natal e ao Pai Natal e as latas com motivos natalícios, que guardavam algumas mensagens :

A árvore de Natal invertida foi a cereja no topo do bolo. Foi uma proposta da Dr.ª Marta Leite, que, tão gentilmente, preparou com a sua educanda uma apresentação para dar a conhecer onde, quando, como e porquê algumas populações penduravam o pinheiro. À hora marcada, os delegados de cada uma das turmas compareceram na biblioteca e ouviram a apresentação feita.

Natal na Biblioteca, posted with vodpod





História de Natal digital

8 12 2010

Não podíamos deixar de vos mostrar este vídeo. Leiam-no!





Tradições de Natal

8 12 2010

Conhecemos hoje o presépio tradicional algarvio. Além das imagens que o ilustram, divulgamos, também, a informação que nos foi cedida pela Biblioteca da Escola Secundária Tomás Cabreira. No século XIX, no Barrocal algarvio, o presépio era armado sobre uma cómoda, que se encontrava em frente à porta da casa, nove dias antes do Natal. A cómoda era revestida com uma toalha branca adornada com larga renda pendente. Sobre ela, colocava-se um pequeno trono  em escadaria, também conhecido por altarinho, escadaria, penha ou charola, que imitava o altar-mor da igreja. À medida que se elevava, os degraus eram mais estreitos. Este era coberto com um lençol ou toalhas de linho, com uma dobra de lençol de lindas rendas, com panos bordados pela dona da casa ou pelas filhas solteiras, onde abundavam motivos de cor azul e encarnada.

O trono era ladeado de jarras com verdura, onde sobressaía a murta, o loureiro, o alecrim, a aroeira e a nespereira; no Barrocal ornamentava-se o trono, também,  com laranjas. Ao lado do presépio, penduravam-se na parede cachos de laranjas, porque possuir laranjas era sinal de distinção. Quando um afilhado ou pessoa amiga fazia uma visita na quadra natalícia, oferecia-se-lhe uma das laranjas que estava no presépio; e se vinha o médico ou o prior a casa, as famílias ficavam muito felizes e sentiam-se honradas se eles retirassem uma peça de fruta do seu presépio. Construído o trono, ornava-se o Menino, feito pelo pinta-santos. Vestia-se-lhe o vestidinho lavado e engomado; a dona da casa preparava também uma lamparina que colocava num pratinho à frente do Menino. O presépio era ainda decorado com searinhas, que germinavam dentro de chávenas ou pires pequenos e se colocavam artisticamente no trono.

Esta tradição encontra-se ainda na Madeira, onde é designada por lapinha, nos Açores, no Brasil, e em quase todas as nações da América Central e do Sul.





Natal na Biblioteca

5 12 2010

Aqui está mais um convite. Agora para uma exposição de latas de Natal. Latas de Natal? perguntarão.Exactamente o que leram e compreenderam.

Em tempo de Natal, tudo ganha cor, brilho, magia! E as latas não são excepção. Trazem bombons, chocolates, guloseimas, sabonetes e outras coisas mais para presentearmos. Por isso, na impossibilidade de se exporem brinquedos, como tinha sido previsto, a BE/CRE aceitou, de bom grado, o desafio feito pela Encarregada de Educação de uma das nossas alunas, Dr.ª Marta Leite, que connosco colabora: expor latas de Natal. Agradecemos-lhe a prontidão com que ilustrou o desafio e aqui o colocamos.


Traz uma lata com motivos de Natal e coloca dentro dela um texto, uma frase, uma história, uma rima … que inclua as palavras “lata” e “Natal”. [Não te esqueças de a identificar para que te possa ser devolvida].

Colabora na decoração da Biblioteca neste período natalício!





O NATAL NA LITERATURA PORTUGUESA

23 12 2009
PRECE DO NATAL

Menino Jesus
De novo nascido,
Baixai o sentido
Para a nossa cruz!
Vede que os humanos
Erros e cuidados
Nos são tão pesados
Como há dois mil anos.
A nossa ignorância
É um fardo que arde.
Como se faz tarde
Para a nossa ânsia!
Nós somos da Terra,
Coisa fria e dura.
Olhai a amargura
Que esse olhar encerra.
Colai o ouvido
À alma que sofre;
Abri esse cofre
Do sonho escondido.
Pegai nessa mão
Que treme de medo;
Sondai o segredo
Da minha oração.
Esta pobre gente
Que mal é que fez?
Nós somos, talvez,
Um povo «inocente»…
Menino Jesus
Que andais distraído
Baixai o sentido
Para a nossa cruz!
A mais insofrida
De tantas misérias
– Não termos mais férias
Ao longo da vida –
Trocai por amenas
Manhãs sem cuidados,
Silêncios banhados
De ideias serenas;
Por cantos e flores
Risonhas imagens
Macias paisagens
Felizes amores!

Carlos Queirós




O NATAL NA LITERATURA PORTUGUESA

22 12 2009
PRELÚDIO DE NATAL

Tudo principiava
pela cúmplice neblina
que vinha perfumada
de lenha e tangerinas
Só depois se rasgava
a primeira cortina
E dispersa e dourada
no palco das vitrinas
a festa começava
entre odor a resina
e gosto a noz-moscada
e vozes femininas
A cidade ficava
sob a luz vespertina
pelas montras cercada
de paisagens alpinas

David Mourão-Ferreira




O NATAL NA LITERATURA PORTUGUESA

21 12 2009
NOITE DE NATAL

[A um pequenito, vendedor de jornais]
Bairro elegante, – e que miséria!
Roto e faminto, à luz sidéria,
O pequenito adormeceu…
Morto de frio e de cansaço,
As mãos no seio, erguido o braço
Sobre os jornais, que não vendeu.
A noite é fria; a geada cresta;
Em cada lar, sinais de festa!
E o pobrezinho não tem lar…
Todas as portas já cerradas!
Ó almas puras, bem formadas,
Vede as estrelas a chorar!
Morto de frio e de cansaço,
As mãos no seio, erguido o braço
Sobre os jornais, que não vendeu,
Em plena rua, que miséria!
Roto e faminto, à luz sidéria,
O pequenito adormeceu…
Em torno dele – ó dor sagrada!
Ao ver um círculo sem geada
Na sua morna exalação,
Pensei se o frio descaroável
Do pequenino miserável
Teria mágoa e compaixão…
Sonha talvez, pobre inocente!
Ao frio, à neve, ao luar mordente,
Com o presépio de Belém…
Do céu azul, às horas mortas,
Nossa Senhora abriu-lhe as portas
E aos orfãozinhos sem ninguém…
E todo o céu se lhe apresenta
Numa grande Árvore que ostenta
Coisas dum vívido esplendor,
Onde Jesus, o Deus Menino,
Ao som dum cântico divino,
Colhe as estrelas do Senhor…
E o pequenito extasiado,
Naquele sonho iluminado
De tantas coisas imortais,
– No céu azul, pobre criança!
Pensa talvez, cheio de esp’rança,
Vender melhor os seus jornais…

António Feijó




O NATAL NA LITERATURA PORTUGUESA

20 12 2009
 LITANIA DO NATAL
A noite fora longa, escura, fria.
Ai noites de Natal que dáveis luz,
Que sombra dessa luz nos alumia?
Vim a mim dum mau sono, e disse: «Meu Jesus…»
Sem bem saber, sequer, porque o dizia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Na cama em que jazia,
De joelhos me pus
E as mãos erguia.
Comigo repetia: «Meu Jesus…»
Que então me recordei do santo dia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Ai dias de Natal a transbordar de luz,
Onde a vossa alegria?
Todo o dia eu gemia: «Meu Jesus…»
E a tarde descaiu, lenta e sombria.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
De novo a noite, longa, escura, fria,
Sobre a terra caiu, como um capuz
Que a engolia.
Deitando-me de novo, eu disse: «Meu Jesus…»
E assim, mais uma vez, Jesus nascia.
                                                                                           José Régio




O NATAL NA LITERATURA PORTUGUESA

19 12 2009
Dia de Natal
“Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
 
É dia de pensar nos outros – coitadinhos – nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
 
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
 
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso anti magnético.)
Torna se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeus enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
 
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilowatts,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
 
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
 
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha se uma roupagem diáfana a desembrulhar se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra – louvado seja o Senhor – o que nunca tinha pensado comprar.
 
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
 
Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.
 
Ah!!!!!!!!!!
 
Na branda macieza
da matutina luz
aguarda o a surpresa
Do Menino Jesus.
 
Jesus,
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.
 
Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá.
 
Já está!
E fazia as erguer para de novo matá las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.
 
Dia de Confraternização Universal,
dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.”
                                     António Gedeão, in Máquina de Fogo







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